Casa ecologicamente correta no Iguatemi

Por Ana Carla

O Shopping Iguatemi recebeu, do dia 18 de maio ao dia 08 de junho, uma exposição de uma casa feita, integralmente, com materiais reciclados e/ou ecologicamente corretos. A exposição, que também contava com material informativo (cartazes e banners), chamava a atenção do público, que ia, curioso, conferir a “novidade”.
A estudante de 18 anos, Bel Kiss, era uma das monitoras do projeto, realizado pela SAMPA Eventos – uma empresa de São Paulo – com o apoio da Braskem, da Coca-Cola e da Norcon. Segundo a estudante, a iniciativa de realizar essa exposição veio para conscientizar as pessoas da importância da reciclagem e porque a empresa que a promoveu estaria, nas palavras dela, “preocupada com a questão do meio ambiente”.
A casa em exposição era um modelo em proporções menores que uma casa real e a finalidade de mostrá-la era para apresentar novas propostas de produções arquitetônicas e decorativas. A parede da casa era feita de tubos de creme dental prensados. No nosso meio social (e real) ela poderia funcionar como divisória de escritório, pois, apesar de sua impermeabilidade, não apresenta muita segurança e resistência.
O teto e o chão eram feitos de embalagens Tetra Pak, as conhecidas “longa-vida” (como leite em caixa, por exemplo). Na sala, vários objetos de decoração confeccionados com garrafas PET, pneus velhos e caixas de papelão. No banheiro e na cozinha os armários eram de madeira de demolição reaproveitada e serragem prensada. O chuveiro contava com água quente, proveniente do aquecedor solar, e na pia da cozinha foi utilizado aço INOX de latões (sucata).
No quarto, a cama era toda feita de PET, a penteadeira, de madeira de demolição e colagens de revistas e os bancos e as cadeiras, de caixas de papelão.
A exposição também contou com atividades educativas para as crianças, que podiam desenhar em folhas recicladas e se divertir num teatrinho de fantoches que estimulava a reciclagem.
Elizabeth, 30 anos, e Denner,33, são casados e foram à exposição com seus filhos. Ambos acharam o projeto “muito bom, interessante”. Mas quando indagados se praticam a coleta seletiva responderam, meio sem jeito, que não. Afinal “quando o caminhão do lixo chega junto tudo” – diz Elizabeth. Eles ainda afirmaram que no bairro onde residem, Jacarecica, há um “jornalzinho” da associação dos moradores que informa sobre questões ligadas ao meio ambiente e já houve uma “reivindicação” à cerca da coleta seletiva. Mas as autoridades não fizeram nada e ainda, segundo Elizabeth, “na verdade lá tem tanta coisa pra ser resolvida primeiro”.
É a partir desse tipo de comportamento que observamos que a reciclagem, a coleta seletiva, e as coisas que podem ajudar nosso planeta não são levadas como medidas prioritárias. A sociedade, se continuar apenas achando bonitinho e não fazendo nada para contribuir, vai sofrer as conseqüências num futuro que parece não estar tão distante.

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