Por Gabriela Moreira
“Estádio dos Aflitos, Pernambuco. Aos 37 min do 2º tempo, André Luis, zagueiro do Botafogo, faz falta dura no jogador do Náutico e é expulso.” Esta seria uma cena corriqueira do futebol brasileiro, se não fosse o acontecimento posterior: o jogador do Botafogo recusa-se a sair de campo e envolve-se em uma confusão com a polícia, sendo acusado de desacato à autoridade e com a torcida local, para a qual faz gestos obscenos.
Como era de se esperar, o caso tomou uma esfera nacional, ofuscando inclusive a bela vitória do Náutico por 3×1. Terminado o jogo, lá estavam os jornalistas sulistas reunidos em programas dominicais de mesa redonda criticando a atuação da polícia pernambucana, pois julgaram a ação policial “violenta e desnecessária”. Ora, André Luis será julgado por atitude inconveniente, reclamação contra a arbitragem, atitude contrária à moral desportiva, podendo ser suspenso por até 23 jogos. A par da situação, a impressa ignora sua resposabilidade social em informar imparcialmente, se posicionando a favor do zagueiro carioca. Fica aqui o questionamento: na situação inversa, um jogador pernambucano em campo carioca, teria o mesmo apoio midiático?
Que nome tem isso? Hipocrisia, quiçá. Afinal, o mundo jornalístico está infectado por estudantes e profissionais que usam do poder de propagação da notícia para difundir fingimentos e falsos moralismos. Quantas vezes você já não leu ou ouviu críticas aos costumes populares com relação à valorização da cultura local, por exemplo? Incontáveis. Mas o que poucos sabem, é que muitos desses autores pensam e agem contrariamente ao que escrevem.
Evidencia-se deste modo, certo descaso dos comunicadores – formados e em formação – para com aqueles que acreditam nos valores éticos e morais existentes no jornalismo.