Procura-se: jornalistas especializados em verdade

Junho 13, 2008

Por Gabriela Moreira

 

 

 

“Estádio dos Aflitos, Pernambuco. Aos 37 min do 2º tempo, André Luis, zagueiro do Botafogo, faz falta dura no jogador do Náutico e é expulso.” Esta seria uma cena corriqueira do futebol brasileiro, se não fosse o acontecimento posterior: o jogador do Botafogo recusa-se a sair de campo e envolve-se em uma confusão com a polícia, sendo acusado de desacato à autoridade e com a torcida local, para a qual faz gestos obscenos.

Como era de se esperar, o caso tomou uma esfera nacional, ofuscando inclusive a bela vitória do Náutico por 3×1. Terminado o jogo, lá estavam os jornalistas sulistas reunidos em programas dominicais de mesa redonda criticando a atuação da polícia pernambucana, pois julgaram a ação policial “violenta e desnecessária”. Ora, André Luis será julgado por atitude inconveniente, reclamação contra a arbitragem, atitude contrária à moral desportiva, podendo ser suspenso por até 23 jogos. A par da situação, a impressa ignora sua resposabilidade social em informar imparcialmente, se posicionando a favor do zagueiro carioca. Fica aqui o questionamento: na situação inversa, um jogador pernambucano em campo carioca, teria o mesmo apoio midiático?

Que nome tem isso? Hipocrisia, quiçá. Afinal, o mundo jornalístico está infectado por estudantes e profissionais que usam do poder de propagação da notícia para difundir fingimentos e falsos moralismos. Quantas vezes você já não leu ou ouviu críticas aos costumes populares com relação à valorização da cultura local, por exemplo? Incontáveis. Mas o que poucos sabem, é que muitos desses autores pensam e agem contrariamente ao que escrevem.

Evidencia-se deste modo, certo descaso dos comunicadores – formados e em formação – para com aqueles que acreditam nos valores éticos e morais existentes no jornalismo.


Por trás dos bastidores

Junho 7, 2008

Por Jobison Barros 

O teatro poderia ser algo de grande relevância para alguém que almeja sucesso na carreira profissional. Mas, qual a visão que inúmeras pessoas têm a respeito do mesmo?

Poderíamos evidenciar o interesse do jovem em fazer teatro tomando como base o aspecto preconceituoso: “- Pra quê eu vou fazer teatro? Pra me tornar gay? De maneira alguma!” O povo já denominou o teatro como se fosse algo feminino.

Com relação à valorização, podemos afirmar que não há uma divulgação concreta de “determinadas” peças de teatro. Por outro lado, observamos claramente o interesse em se veicular quando estar por vir uma apresentação do Sul e Sudeste: “- Você viu a propaganda da peça “Cócegas” na TV Gazeta? Será onde? No teatro Gustavo Leite, vamos? Meu nome é vai! Então vamos”. Relacionamos essa divulgação à questão financeira: R$ 40,00 uma peça vinda de outro estado e R$15,00 uma peça de Maceió, como exemplo.

É possível atrair um grande público? Resumimos à elite.

Analisando o ponto de vista cultural, o teatro ainda é desvalorizado em seu âmbito regional, favorecendo a uns e excluindo outros.


A Verdadeira Face do Metal Alagoano

Maio 29, 2008

Por Raphael Vasconcelos

 

Any Deyse tem 21 anos e é vocalista de uma banda de Gothic Metal: Dark Tale. Nessa entrevista, a simpática estudante de psicologia, fala sobre a história da banda, a situação do músico alagoano e seus planos para o futuro.

Raphael: Qual foi o seu primeiro contato com a música? Há quanto tempo você é vocalista? E a Dark Tale faz quanto tempo que ela existe?
Any: Desde muito cedo eu canto. Creio que foi ainda no primário que fiz minha primeira apresentação cantando. Falando em relação à vocalista de banda, eu canto há 5 anos, mas a DarkTale tem 2 anos de existência.

R: Você já gravou algum CD ou tem alguma demo?
A: Não gravamos CD, mas temos uma música gravada.

R: Por que “Dark Tale”? O que te inspirou a escolha do nome da banda?
A: O nome da banda foi definido a partir da linha que iríamos seguir; que a principio era só voltado ao Gothic Metal. Daí pensamos em algo que pudesse ser ao mesmo tempo belo e obscuro, e foi então que eu pensei nos Contos de Fadas onde tudo são flores misturadas à realidade e que nem tudo é dessa forma encantadora; daí que surgiu o nome Dark Tale que é algo como Conto Obscuro.

R: O metal é visto de uma forma preconceituosa pela sociedade – como um estilo obscuro, depressivo, agressivo e diabólico, porém, sabemos que na maioria das vezes é uma questão de marketing ou, então, isso não ocorre! Portanto, qual foi ou qual é a reação das pessoas ao saberem que você é uma cantora desse estilo? Houve ou ainda há preconceito?
A: Sempre tem. Como você falou a sociedade julga as coisas sem nem ao menos conhecê-las, eu tenho como um exemplo a minha mãe, antes dela conhecer o metal ela me criticava, mas depois que eu mostrei que não era bem do modo como ela pensava, hoje ela até que me apóia. Mas de qualquer forma eu não ligo. Poderia estar cantando qualquer outra coisa e ganhando muito dinheiro, mas eu canto o que eu gosto, componho o que eu gosto e estou muito bem com isso.

R: Com relação à posição da sociedade diante ao estilo do metal, o que fazer para que ela veja-o de outra forma?
A: Sinceramente eu não sei, porque é fato que as pessoas destroem primeiro para depois perguntar o que é. A tendência é destruir e criticar o que não conhecem porque têm medo. O mundo tem medo do novo, daquilo que não segue padrões, do que está no limiar social do normal. Então eu não sei. E só se conhece quando se quer. Outra questão é que esse preconceito tem que ser vencido de dentro para fora, então creio que enquanto os apreciadores do estilo tiverem preconceito com eles mesmo isso nunca vai acabar.

R: Já aconteceu algum fato hilário enquanto você se apresentava? Se isso aconteceu como foi? Como você reagiu a tudo isso?
A: Certa vez em um dos shows tinha um cara na frente do palco bêbado gritando que a banda era uma porcaria, que não prestava e tal, além de fazer gestos obscenos. Eu fiquei com muita vontade de rir, daí acabei esquecendo a letra da música, e ai teve que ser no improviso. Até eu lembrar o restante da música e o pessoal tirar o indivíduo da frente do palco.

R: O que mudou na Any de antes para a Any de depois (vocalista de uma banda)?
A: O que mudou? Acho que não muita coisa, mas por eu ter uma banda e ser front woman da mesma me tornei mais responsável. Conheci muitas pessoas legais, acho que só coisas positivas a Dark Tale me trouxe. Algo que aprendi é o quanto as pessoas são hipócritas, na sua frente te “levantam” e por traz falam mal de você. Aprendi a reconhecer esse tipo de gente. Fora isso, só coisa boa.

R: Quais as dificuldades que um músico alagoano enfrenta?
A: Todas as dificuldades possíveis. Aqui, musica é pra quem realmente gosta. Principalmente músicos do metal. Não temos nenhum apoio de órgãos voltados à cultura. A cena é pequena, faltam locais e patrocinadores para os shows. Não existem muitos músicos bons que realmente gostem do som. Em fim, diversos problemas.

R: Quais as perspectivas da banda?
A: Bom, estamos em uma nova fase, e as expectativas são as melhores possíveis. Em breve esperamos gravar a demo e depois, quem sabe, um CD. Fazer shows fora do estado seria uma boa também.

 


Música: qual a sua verdadeira expressão?

Maio 21, 2008

Por Jobison Barros

Quais músicas são realmente populares? Há ainda um lugar específico para elas ou será que mudaram seu aspecto e conteúdo?

     A Música Popular Brasileira (MPB) está perdendo seu espaço, principalmente no Nordeste. As músicas atuais não têm mais um conteúdo significativo; o ritmo pode até ser agradável, mas a letra, de forma alguma!

     Cantores consagrados da MPB com suas brilhantes canções, como: Caetano Veloso, Gal Gosta, Maria Betânia, Marisa Monte, a grande Alcione com sua música “Estranha loucura”, fazem-se substituídas por “bandinhas” de forró ou outros ritmos, como Saia Rodada, Cavaleiros do Forró, Aviões do Forró, Trio da Huanna ou uma discreta “dança do créu” ou simplesmente “chupa que é de uva” ou “senta que é de menta”. Essas músicas animam? Tudo bem, animam. Mas… e o público mais velho curtindo a MPB ou então o público infantil com suas músicas que muitas vezes podem parecer “bobagem”, mas é característico da faixa etária?

     Verdadeiramente, o que está ocorrendo é uma disseminação das canções. Se o público valoriza, diverte-se com as músicas atuais, podemos concluir que as mesmas tornam-se populares, isto é, são fortemente “Música Popular Brasileira (MPB)”. É o que atrai o público, não é mesmo?

Foto: http://www.mecanicadossolos.com.br/movimentos%206%20shows%20_arquivos/image002.jpg