Por Raphael Vasconcelos
Any Deyse tem 21 anos e é vocalista de uma banda de Gothic Metal: Dark Tale. Nessa entrevista, a simpática estudante de psicologia, fala sobre a história da banda, a situação do músico alagoano e seus planos para o futuro.
Raphael: Qual foi o seu primeiro contato com a música? Há quanto tempo você é vocalista? E a Dark Tale faz quanto tempo que ela existe?
Any: Desde muito cedo eu canto. Creio que foi ainda no primário que fiz minha primeira apresentação cantando. Falando em relação à vocalista de banda, eu canto há 5 anos, mas a DarkTale tem 2 anos de existência.
R: Você já gravou algum CD ou tem alguma demo?
A: Não gravamos CD, mas temos uma música gravada.
R: Por que “Dark Tale”? O que te inspirou a escolha do nome da banda?
A: O nome da banda foi definido a partir da linha que iríamos seguir; que a principio era só voltado ao Gothic Metal. Daí pensamos em algo que pudesse ser ao mesmo tempo belo e obscuro, e foi então que eu pensei nos Contos de Fadas onde tudo são flores misturadas à realidade e que nem tudo é dessa forma encantadora; daí que surgiu o nome Dark Tale que é algo como Conto Obscuro.
R: O metal é visto de uma forma preconceituosa pela sociedade – como um estilo obscuro, depressivo, agressivo e diabólico, porém, sabemos que na maioria das vezes é uma questão de marketing ou, então, isso não ocorre! Portanto, qual foi ou qual é a reação das pessoas ao saberem que você é uma cantora desse estilo? Houve ou ainda há preconceito?
A: Sempre tem. Como você falou a sociedade julga as coisas sem nem ao menos conhecê-las, eu tenho como um exemplo a minha mãe, antes dela conhecer o metal ela me criticava, mas depois que eu mostrei que não era bem do modo como ela pensava, hoje ela até que me apóia. Mas de qualquer forma eu não ligo. Poderia estar cantando qualquer outra coisa e ganhando muito dinheiro, mas eu canto o que eu gosto, componho o que eu gosto e estou muito bem com isso.
R: Com relação à posição da sociedade diante ao estilo do metal, o que fazer para que ela veja-o de outra forma?
A: Sinceramente eu não sei, porque é fato que as pessoas destroem primeiro para depois perguntar o que é. A tendência é destruir e criticar o que não conhecem porque têm medo. O mundo tem medo do novo, daquilo que não segue padrões, do que está no limiar social do normal. Então eu não sei. E só se conhece quando se quer. Outra questão é que esse preconceito tem que ser vencido de dentro para fora, então creio que enquanto os apreciadores do estilo tiverem preconceito com eles mesmo isso nunca vai acabar.
R: Já aconteceu algum fato hilário enquanto você se apresentava? Se isso aconteceu como foi? Como você reagiu a tudo isso?
A: Certa vez em um dos shows tinha um cara na frente do palco bêbado gritando que a banda era uma porcaria, que não prestava e tal, além de fazer gestos obscenos. Eu fiquei com muita vontade de rir, daí acabei esquecendo a letra da música, e ai teve que ser no improviso. Até eu lembrar o restante da música e o pessoal tirar o indivíduo da frente do palco.
R: O que mudou na Any de antes para a Any de depois (vocalista de uma banda)?
A: O que mudou? Acho que não muita coisa, mas por eu ter uma banda e ser front woman da mesma me tornei mais responsável. Conheci muitas pessoas legais, acho que só coisas positivas a Dark Tale me trouxe. Algo que aprendi é o quanto as pessoas são hipócritas, na sua frente te “levantam” e por traz falam mal de você. Aprendi a reconhecer esse tipo de gente. Fora isso, só coisa boa.
R: Quais as dificuldades que um músico alagoano enfrenta?
A: Todas as dificuldades possíveis. Aqui, musica é pra quem realmente gosta. Principalmente músicos do metal. Não temos nenhum apoio de órgãos voltados à cultura. A cena é pequena, faltam locais e patrocinadores para os shows. Não existem muitos músicos bons que realmente gostem do som. Em fim, diversos problemas.
R: Quais as perspectivas da banda?
A: Bom, estamos em uma nova fase, e as expectativas são as melhores possíveis. Em breve esperamos gravar a demo e depois, quem sabe, um CD. Fazer shows fora do estado seria uma boa também.